Por que somos tão limpinhos em casa e tão desleixados fora dela?


Ideação BID.

Do portão de casa para dentro, somos um dos povos mais limpos do mundo. Nos lares mais simples, panelas que – de tão bem ariadas mais parecem espelhos – são expostas com orgulho. Já nas casas daqueles que têm maior poder aquisitivo, trabalhadores domésticos – artigo em extinção ou muito bem remunerados em países de renda elevada – mantêm tudo brilhante e perfumado. Esse gosto brasileiro por limpeza e asseio já foi registrado até em artigo da famosa revista The Economist.

Nos espaços públicos, no entanto, a história é bem diferente. De acordo com uma matéria do jornal “O Globo”, a Prefeitura do Rio de Janeiro acaba de recolher 40 toneladas de lixo da Praia de Copacabana, um dos destinos turísticos mais famosos do Brasil.

Para conscientizar a população, o lixo retirado da praia foi empilhado em uma montanha numa das ruas do bairro lendário, em uma ação de conscientização promovida em parceria com o RIO EU AMO EU CUIDO, um movimento que, entre outras iniciativas, incentiva os cidadãos a fotografar lixo jogado indevidamente na rua e publicar as fotos no Instagram sob a hashtag #RIOSEMLIXO.

Embora seja difícil mensurar o alcance de iniciativas desse tipo, o RIO EU AMO EU CUIDO informou serem comum os relatos de gente que após conhecer o projeto disse ter deixado de descartar bitucas de cigarro em espaços públicos.

Outra tentativa de lidar com a falta de cidadania e higiene é o Lixo Zero, criado em agosto do ano passado pela Prefeitura. Desde o lançamento até agora, já foram aplicadas 29.321 multas – cujos valores variam de R$ 98 (valor pago por quem não recolhe os dejetos de animais) a R$ 3 mil (para grandes quantidades de entulho descartados de forma irregular) – aos que foram flagrados jogando lixo na rua.

Do total, 4.870 multas já foram pagas, enquanto 14.384 aguardam recurso. Para fechar o cerco aos porcalhões que recorrem das multas – entre os quais um brasileiro que alegou desconhecer a lei por viver há muitos anos no exterior – a empresa de limpeza pública do Rio, Comlurb, firmou acordo com o Serasa para incluir os não pagadores no cadastro de devedores.

A Comlurb ressalta, porém, que entre os que não recorreram há desde um cidadão paulista que mobilizou vários setores da companhia para conseguir um novo boleto de pagamento, já que o dele estava vencido, até um turista alemão que quis pagar a multa no ato, por ser esse o procedimento na Alemanha.

É curioso que, ricos e pobres, tão cuidadosos com nossos lares, sejamos tão pouco civilizados quando se trata de espaços públicos. E dá-lhe latinhas de alumínio sendo atiradas em via pública desde veículos populares até os importados mais desejados. Bitucas de cigarro, restos de alimento, móveis que não queremos mais, sapatos velhos…. Descartamos tudo isso na rua, nas nossas belas praias é até em copas de arvores.
Se somos tão limpinhos dentro de casa, por que não podemos repetir o mesmo comportamento fora dela? Até que isso aconteça, haja multa.

Palavra do Leitor

FRANCISCO JOSÉ BORGES DA CRUZ - mail: fcruz@sabesp.com.br

Comentário:

É curioso que, ricos e pobres, tão cuidadosos com nossos lares, sejamos tão pouco civilizados quando se trata de espaços públicos. Descartamos tudo isso na rua, nas nossas belas praias e até em copas de árvores.

Discordo no que se refere a minha pessoa. Sou limpo dentro de casa e tenho o mesmo comportamento fora dela. Isso desde a infância e independente de multa. Nem papel de bala ou qualquer outra coisa.




Mestrado em Recursos Hídricos deve fortalecer gestão em todo o país.

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Tolerância 100 ou zero?
O Lixo Zero, presente em 55 bairros do Rio, já resultou na redução de 58% do lixo jogado nas ruas nas áreas em que há fiscalização. A Comlurb destaca que o programa não reduz a quantidade de geração de lixo, mas sim o descarte irregular.

Até agora, os bairros em que mais multas foram aplicados são: Centro, Copabacana, Leblon, Ipanema e Botafogo.

Os resultados são animadores e parecem confirmar o que outras cidades no exterior, como Nova York e Chicago, dizem ter obtido com a aplicação de multas contra o descarte do lixo na rua.

Mas ainda há muito a fazer.

Um estudo da agência governamental Zero Waste Scotland afirma que governos precisam criar campanhas de longo prazo focadas em diferentes grupos e situações para poder mudar comportamentos, já que são muitos os fatores que criam a probabilidade de uma pessoa jogar lixo na rua – desde psicológicos e até de desconhecimento mesmo.

No caso do Brasil, talvez o fator mais importante seja a tolerância de grande parte da nossa sociedade em relação a esse tipo de comportamento.

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